nu york, nu york

Julho 10, 2008 - No Responses

Ao receber um convite para um aniversário daquele amigo que não se vê há tempos  observa-se no canto inferior esquerdo do singelo cartão (virtual): traje inexistente. Não se trata de um teaser de uma nova adaptação cinematográfica do livro ícone beatnik  Almoço Nu, de William Burroughs, adaptado para as telas em 1991 por David Cronenberg.

É que uma nova forma de jantar tem ganhado popularidade na cidade de Nova Iorque. Um grupo de aproximadamente 50 pessoas - cujo lema é “não à sopa quente!” - se reúnem para refeições onde os comensais ficam nus.

O organizador John Ordover, que aluga restaurantes da cidade para o jantar mensal , disse ao New York Post: “Não queremos chocar a sociedade, apenas fazemos o que todos fazem, mas achamos que sem roupas é mais confortável.”

 “Nenhum restaurante nos negou a realização do evento e os garçons, em geral, até acham engraçado, afirna Ordover, de 46 anos, que trabalha como web designer quando está vestido.

 ”Trabalhando em um restaurante na cidade de Nova York, você vê coisas muito mais chocantes do que uma mesa cheia de pessoas nuas jantando”, acrescentou.

A modalidade foi inspirada em um stand-up comedy e em alguns clubes de yoga da cidade. “Tive uma experiência transformadora quando fiz o meu próprio ioga nu em vez de vestido. Eu gostaria de compartilhar isso com outras pessoas.” , disse o professor de Yoga nu, Isis Phoenix. Suas aulas têm cerca de 10 devotos que têm de obedecer a duas regras básicas - deixar para trás suas roupas, e levar seu próprio tapete.

melancia pra dar e vender

Julho 7, 2008 - One Response

Suas curvas e proporções avantajadas sempre foram sinônimo de fartura e abundância. Não é à toa que a melancia vêm há algum tempo habitando o imaginário de muitos adolescentes e marmanjos, eufóricos desde a primeira aparição da dançarina (?) do créu, que a leva em seu apelido (ou nome “artítisco”) e com a qual guarda abundantes semelhanças.

Agora, ela (a fruta) tem mais um motivo para fazer a festa da ala masculina, sobretudo para aqueles que têm andado um pouco cabisbaixos. Cientistas do Texas A&M University’s Fruit and Vegetable Improvement Centre descobriram que a melancia funciona como estimulante sexual, com efeitos similares ao Viagra.

O estudo encontrou na fruta uma substância chamada citrullina, que ajuda a dilatar os vasos sanguíneos, assim como age a famosa pílula azul. Para tanto são necessários o consumo de pelo menos seis fatias da fruta para se obter o desempenho equivalente ao consumo de um comprimido.

Se essa onda pegar, provavelmente os barmans da boate-da-terceira-idade, Help, em Copacabana perceberão um aumento na demanda por drinks à base da fruta e a Playboy, terá que fazer uma terceira edição com Andressa Soares, que agora também é cantora de funk e pretende seguir carreira de modelo, apresentadora e atriz. Crééééééu!!!!!!!!!

Quer saber mais?

Joga no Google: melancia

Depois de várias páginas dedicadas aos 121cm nádegas modestos da musa é possível encontrar alguma informação sobre a descoberta científica. Ou se preferir, vai em www.ananova.com

opção por viver

Julho 3, 2008 - No Responses

“Por trás da cortina de pano roída pelas traças, uma claridade leitosa anuncia a aproximação da manhã. Doem-me os calcanhares, sinto a cabeça apertada num torno, e todo o meu corpo está encerrado numa espécie de escafandro.”

Assim Jean-Dominique Bauby inicia o livro que inspirou o vencedor do Globo de Ouro 2007, “O Escafandro e a Borboleta” ,que acaba de estrear no Rio de Janeiro. O filme conta o drama real vivido pelo diretor da revista Elle que após sofrer um derrame cerebral é acometido de uma síndrome rara (locked-in) que o deixa totalmente incapacitado e sem voz após acordar de 20 dias de coma.

Sem poder falar e mexer nenhuma parte do corpo ele só consegue se comunicar com o piscar de seu olho esquerdo e num exemplo de perseverança, não sem muitas dificuldades, com ajuda de uma equipe de belíssimas médicas, escreve sua auto-biografia.

Um colírio de fotografia, inicialmente vemos o longa sob a ótica do personagem central e com ele vamos vivendo a angústia de quem, aprisionado ao próprio corpo (como num escafandro), só lhe resta sua memória e imaginação, que o permite voar ( como uma borboleta) e viver, apesar dos limites impostos pela sua capacidade física liquidada.

Em seqüências de tomadas entrecortadas com vozes (das pessoas e da consciência de Jean-Do) sustentadas por uma trilha excelente com músicas do U2, Tom Waits e Lou Reed, é claro o objetivo do roteirista Ronald Harwood (o mesmo de O amor nos tempos do cólera e O pianista) em fugir da obviedade geralmente atribuída a este tipo de argumento. Mais do que um filme sensorial, ele consegue alcançar a alma. È uma ode à vida.

http://www.lescaphandre-lefilm.com

numa noite dessas…

Junho 23, 2008 - No Responses

Acordo e me vejo sem chão. Pendente em um feixe vermelho e preto. Uma espécie de corda bamba na qual tenho que me equilibrar e volta e meia me proteger das rampas que passam por cima da minha cabeça. Em uma prancha de surf sou transportado para um domínio incógnito no qual consigo ver sem sentir todos os circuitos dos quais sou constituído.

“Eu não tenho medo, mas não quero voltar pra casa. É tarde, é frio.”

Sou embriagado pelos fantasmas que me fazem correr, mas me percebo sem calcanhar. Pego a primeira rampa desconhecida que passa rumo a algum lugar periférico. Um bairro punk de deuses auto-suficientes. Sofia espera por mim tragando em folhas de revista.

“Seus lábios são minha saída. Seus lábios são minha saída. Seus lábios são minha saída.”

Somos só nós dois e a massa nos envolve em torno da pista de dança com desenho de bússola. Estou desorientado.

“Meus lábios são sua saída. Meus lábios são sua saída.”

Não fuja! Olho os olhos manchados. Faces indigestas me dão náusea. Ignoro-as e te procuro. Por que fugiste? Me perseguem com foices e vozes. Corro muito sem saber e quando percebo sou rato de laboratório. Sinto minha espinha gelar ao te ver na outra jaula. Encarcerada, extasiada, vivendo céus de borboletas psicodélicas com detalhes transparentes nas asas. Sou injetado com doses cavalares de insuficiência e desmancho escoando pelo ralo, por dentre fios capilares e vou te encontrar no próximo túnel delgado do submundo urbano. Somos eu e você novamente de meias e tênis, de códigos indecifráveis ( eles não entenderiam). Pegamos o trem rumo à próxima estação. Terminal, ilusão. Tomamos o velocífero de rodas de fogo rosa mas não temos dinheiro pra pagar. O guardião quer te ter como pagamento e eu espero terminar enquanto tomo um pouco de morfina lendo uma fábula infantil. Nela, Branca me engana. Sorri com brinco escarlate falso. Ouço um ruído vindo de trás do mar. Vou até lá e me despeço, te abandono. É hora de ser forte. Não alcanço a alça e tomo no pote mesmo e começo a queimar por inteiro. Gavetas dali e de lá saem do meu corpo e num ritmo frenético começam a abrir e fechar liberando raios e relâmpagos da minha saia rodada de sentinela satânica. Meus olhos amarelos dançam em círculos quando começo a quebrar pelo meio. No início era são um arranhão. No início era só um arranhão. Não posso fazer nada. O azul é muito intenso e profundo. Me engole em camadas. Tão esfuziante é a chegada no grande mito. Nebulosas, cometas de véu negro. Caio no tabuleiro de xadrez de quadrados fluorescentes de néon pálido, salto de posto em posto com meu cavalo de pedra escalo a torre e decapito a rainha que tomava chá com uma camisa dos Sex Pistols feita de bites. Flutuo de novo dentro de bóias de pneu de cachoeira. Estou limpo…

“Mãe, acabei!!!!!!!!!!

Ciberneticamente, deixo de ser e os pedaços de minha consciência caem na esteira vermelha e preta agora com furos irregulares e aspecto pegajoso. Sou depositado em uma garrafa. Não sei se serei vendido em conserva ou se consertam meu coração. Ganho um novo. Preciso de uma face pra desaparecer, mas permanecem ao meu lado. Deite aqui (me deram um coração). Deite aqui ( por enquanto tenho um). Deite (do meu lado de portas trancadas).

Foi o que me disseram quando me deram um coração novo. Átrios de um novo destino diastólico e fluente, fluido. Fluo por entre pairagens que , de novo, do meu lado não consigo me por no meu lugar. Talvez não agora. Talvez nunca mais.

e o vento trouxe… (o fim dos tempos)

Junho 20, 2008 - 3 Responses

Duas jovens conversam em um banco de praça. Minutos após uma suave brisa que bate, uma delas começa a falar de modo repetitivo e desconexo, em seguida retira seu prendedor de cabelo e o encrava no próprio pescoço. De repente, praticamente toda a cidade da Filadélfia é ameaçada por um vírus que se espalha, acabando com o instinto de sobrevivência das pessoas, o que provoca uma série de suicídios em massa.

A idéia não é nada mal em se tratando da mais nova produção do cineasta indiano M. Night Shyamalan, que surpreendeu pláteias com Sexto Sentido, Sinais e A vila. Entretanto, ao sair de uma sessão de Fim dos Tempos, é inevitável lembrar e lamentar pela sensação de replay, de quem há dois anos acabava de assistir A dama na água, que já parecia prever o que viria por aí, na obra do diretor.

Com um roteiro digno de vencedor da categoria “Blockbuster Standard”, em Fim dos tempos mais uma vez Shyamalan recorre à antítese entre fé e razão, o controlado e aleatório, o certo e o oculto. A princípio, o longa soa como protesto ecológico, mas entre desastres, mortes catastróficas e personagens “timburtunianos” também é perceptível um “quê” de anti-terrorismo.

E é numa profusão de clichês cinematográficos, em meio a um roteiro pobre, com falas previsíveis e um elenco de quinta que o professor de ciências Elliot Moore (Mark Wahlberg) emerge na trama como o típico herói americano, íntegro em seus valores e sagaz o suficiente para salvar o planeta com base em suas teorias e conduzir a trama ao previsível Happy End ( com direito a insinuação de continuidade e tudo).