o bizú


existem canções
Dezembro 22, 2008, 4:15 pm
Arquivado em: máquina de escrever, surto

É gritante a quantidade de mitos e teorias que tentam se impor como o ideal estereotipado de juventude. O jovem é o que consome, o que se diverte, o que tem uma profissão, é o retrato do país, é o produto mais vendido pela cultura midiática. Como disseram os Engenheiros do Havaí, o maior estandarte da juventude é uma banda estampada numa propaganda de refrigerante (light de preferência).

Todos falam tanto em aproveitar esta tal juventude, mas em que consiste esta inconsistência? Já que a onda é exatamente não aproveitar nada. Não aproveitamos nosso tempo livre, não aproveitamos os prazerosos momentos a dois. Estamos sempre na pressa e na busca deste tempo irremediavelmente fugidio, que se esvai em doses nem sempre homeopáticas desta juventude que não quer ser careta, que não quer ser como seus pais.

Minha dor não é perceber que apesar de termos feito tudo que quisemos, ainda somos como eles, mas que tornamos mais estranhos, mais bizarros. Afinal, todo jovem é meio maluco. Ele nem pensa que é um jovem. Por trás de olhos cabisbaixos podem existir pensamentos pervertidos. Afinal, jovem só pensa em sexo.

 Como diria o jovem e imortal poeta Renato Russo em “Aloha”, todo adulto tem inveja dos mais jovens. Mais quem são os adultos e os mais jovens? Fico pensando o que será da minha vida pós-juventude. Até quando serei jovem? Será que eu vou ser um tiozinho inconformado com o penoso passar dos tempos? Ou serei pra sempre o jovem que acha que é maduro o suficiente para considerar desprezíveis os mais “jovens” do que eu?

 Não sei o real significado de pertencer a esta casta tão almejada, imaginada como o shangrilá da passagem humana pela terra. Mas assim como todos os outros que estão rotulados dentro da categoria juvenil, olho para o lado e não vejo nada. Eu nem sinto meus pés no chão.